Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

freguesia de Pindo

Elvira Maria Lopes de Pina Pires

 

 

Pindo Actualmente

 

A freguesia de Pindo situa-se na parte Este do conselho de Penalva do Castelo, fazendo fronteira com as freguesias de Germil, Ínsua, Lusinde, Povolide, e São Miguel de Vila Boa.

Pindo é uma das freguesias de Penalva do Castelo com o maior número de habitantes, por aqui encontram-se cerca de 2120 pessoas (dados recentes), o que dá 1/3 da população total, contudo há muitas pessoas emigradas por esse mundo fora, contactando com novas culturas e tentando “ganhar a vida” longe da sua terra.

Em Pindo pode encontrar-se como actividades económicas, a agricultura, na indústria a carpintaria, serralharia, lagar de azeite, extracto de bagaço; no comércio encontramos a latoaria, aluguer de máquinas, oficinas, cafés, mercearias e talhos.

Por esta terra encontramos também algumas colectividades, como varias associações onde as pessoas se podem juntar para participar e dinamizar algumas actividades.

Pindo é atravessado pelo rio Côja, é uma região essencialmente agrícola, com predominância para o cultivo da vinha, olivais, pomares de macieiras e castanheiros.

Nas margens do rio Côja, facilmente conseguirá pescar o barbo, a boga, o bordalo e o pimpão.

Poderá encontrar ao longo das margens o salgueiro, silvas e o amieiro. Estas árvores são muito importantes, pois dão abrigo a várias aves que por ali vão andando, tais como, o gaio comum, a gralha preta, o melro-preto, o pisco-de-peito-ruivo, o chapins, rolas, pardais e também o guarda-rios.

Não só nas margens do rio se encontra a vegetação, toda esta área tem vários tipos de flora, tal como, os carvalhos, o eucalipto, o pinheiro bravo, entre outras espécies de árvores.

Nas margens do rio Côja encontra-se a praia fluvial da Senhora da Ribeira.

Finalmente, apresenta uma boa zona de caça, onde se pode encontrar a lebre, o coelho e também a perdiz.

 

 

Também é junto a Senhora da Ribeira que se une o Rio Côja com o Rio Dão. Sempre que a barragem se encontra fechada a água inunda toda esta vegetação existente.

 

 

 

 

História do local

 

 

 

Desde tempos remotos que o homem escolheu estas terras para aí habitar, neste local encontramos vestígios romanos (estações arqueológicas e vias) e sepulturas antropomórficas existentes na igreja paroquial.

Segundo a história, em 1340 foi fundado por Gonçalo Esteves de Tavares um hospício para 24 pobres honrados, envergonhados, ou inválidos, de honesta vida e bons costumes, que se situava na povoação da Corga.

Contudo são quase inexistentes os testemunhos documentais que possam comprovar este facto. No princípio do século XVI, o cadastro da população do reino apontava a freguesia de Pindo como uma das mais povoadas do conselho.

Em 1706 era vigaria do Padroado Real e possuía 957 habitantes. Posteriormente, em 1758 eram-lhe atribuídos 311 fogos, 1194 pessoas de sacramento e menores, sendo a freguesia com maior número de habitantes de todo o conselho.

Neste mesmo ano, a freguesia possuía 3 lagares de azeite e 9 moinhos de panificação.

Pindo foi comenda da ordem de Cristo e aquando da realização dos inquéritos paroquiais era comendador desta terra D. Francisco de Mascarenhas, conde de Cocolim e membro do Conselho de El Rei, que faleceu nesse mesmo ano, tendo os bens revertido para a corte a 7 de Novembro de 1758.

Por esta altura, a freguesia de Pindo ocupa uma área de 1.682ha dispostos na margem direita do rio Dão, a cerca de 7km da sede do conselho.

É terra fértil devido à abundância de água, como já anotava o pároco local em 1758, por isso o topónio deriva de uma “villa” rústica, propriedade de “Pinidus” na alta idade média.

Toda a actual área da freguesia e os seus lugares principais terão tido origem idêntica, de qualquer forma, S. Martinho de Pindo é uma das mais antigas paróquias do medieval Julgado de Penalva.

Já há documentação acerca desta paróquia nas Inquisições de 1258e já nessa altura, eram referidos os lugares de Pindo de Baixo e de Cima, Roriz, Telhado, Oliveira e Pepim.

 

 

Património Histórico

 

 

Nas terras de Pindo encontra-se algum património histórico, do qual se pode destacar a Igreja Matriz, pela sua beldade e pelo seu altar principal, a casa paroquial e o cemitério, onde se encontram várias sepulturas antropomórficas, vários ciprestes que rondam algumas centenas de anos.

 

 

 

 

Encontramos também a casa brasonada de Pindo de Cima, que apresenta um aspecto arquitectónico e de linhas sóbrias; a encimar apresenta-se um pórtico curvo interrompido por duas voltas e no qual se situa o brasão de família. Neste momento, a casa encontra-se em estado de degradação, sendo que apenas uma das partes é actualmente habitada.

 

 

 

Continuando o nosso percurso de descoberta … por esta bela localidade podemos encontrar ainda muitas alminhas.

Pode ver-se em Roriz uma capela de forma reduzida - “Capela de Santo António” - de aspecto robusto, cornija ondulada e encimado por pequena cruz central e dois pináculos a rematarem lateralmente os cunhais.

Também temos um brasão de família em Roriz.

 

 

 

 

 

Casa de santa Eulália, é um edifício de grandes proporções, aí se encontra um frontão curvo onde se situa o brasão de família, podendo também encontrar-se uma capela privada e construções anexadas destinadas às diferentes actividades agrícolas da quinta.

 

 

 

 

A Capela da Senhora da Ribeira encontra-se numa zona de grande qualidade natural e ambiental, implantada sobre uma plataforma elevada tendo-se iniciado as suas obras em 1703, na segunda metade do século XX, sofrendo novamente obras de restauro, que lhe conferiram o aspecto actual.

 

 

 

 

A Capela da Senhora do Ó encontra-se na localidade da Corga, situada no fundo da rua principal, tendo feito parte de um conjunto edificado mais vasto, actualmente em estado de ruínas o antigo hospital medieval e posteriormente um seminário. A capela em granito encontra-se voltada para o pátio, o portal de entrada de verga direita e encimado por frontão ondulado e interrompido. Por cima deste situa-se ainda uma pequena rosácea.

 

 

 

 

Nas figuras abaixo apresentadas, podemos observar a aldeia beirã de Pindo de Baixo com ruas apertadas, com o rendilhado dos beirais do casario de granito e as varandas alcantiladas.

 

 

 

 

Junto a Pindo temos a capela do Mártir São Sebastião, que fica no meio de uma vasta vegetação, onde se costuma celebrar uma Eucaristia durante o ano, pela data da sua festa. Uma vez que se encontrava em degradação, a capela sofreu obras recentemente, podendo ser observado o seu aspecto na figura seguinte:

 

 

 

 

Património Natural

 

 

Rota da Senhora da Ribeira

 

Com esta rota pedestre de Nossa Senhora da Ribeira pretende-se motivar qualquer pessoa para a observação do Património Natural e Monumental da freguesia de Pindo.

O pedestrianismo (desporto dos que andam a pé) surge-nos como um meio pedagógico extremamente eficaz na sensibilização de toda a comunidade para as questões patrimoniais e ambientais no desenvolvimento da actividade turística.

Com esta rota procura-se explorar novos desportos que valorizem e divulguem a freguesia, tanto para a população de Pindo como para quem nos queira visitar.

Esta rota consiste em que seja descoberto toda uma história da nossa terra, caminhando por carreiras e caminhos batidos, encontrando recantos cintilantes e mil lugares apaixonantes.

Só vindo aqui conseguirá sentir toda esta história, podendo assim vivê-la por um pouco enquanto percorre esta rota.

 

 

 

 

Património Cultural

 

Cá pela nossa freguesia de Pindo o que não vai faltando são festas e romarias.

Um pouco por cada terra da nossa freguesia, ao longo de todo o ano vão existindo as festas dos padroeiros de cada capela.

Em Pindo festeja-se a festa do Mártir S. Sebastião, o Santíssimo, o São Pedro e também o São Martinho.

Na Corga festeja-se a Senhora do Ó.

Na Encoberta festeja-se o Espírito Santo e a Santa Eufémia.

Nos Moinhos de Pepim festeja-se a Senhora da Ribeira e a Senhora dos Aflitos.

Em Aldeia de Casal Diz festeja-se a Senhora dos Milagres e o São Simão.

Em Casal Diz festeja-se a Senhora dos Verdes e o Santo António.

Em Roriz festeja-se a Santa Eufémia e a Santa Barbara.

Em Santa Eulália festeja-se a Senhora de Fátima e a Santa Catarina.

Em Vila Garcia festeja-se o São João.

 

Sem dúvida que poderá divertir-se com tantas festas pelas nossas terras, uma vez que por aqui há muita diversão e alegria, nunca esquecendo o bom vinho regional, também sempre bem presente nestas tradições.

 

 

 

Gastronomia

 

Uma das últimas referências gastronómicas típicas é o delicioso feijão branco com carne de porco, arroz de grelos com chouriço, arroz de favas com costeletas em vinha de alhos, feijão com couves, torresmos de vinha de alhos com batatas à racha, míscaros com coelho e arroz, borrego assado no forno, rojões, morcelas, filhós, rabanadas e bolos de azeite (ou da Páscoa).

 

 

Bolos de Azeite

 

Ingredientes:

_ 100 Ovos

_8 kg de farinha de trigo

_ 1 Lt. de azeite

_ 250 Gr de manteiga

_ Fermento q.b.

Figura 16

Preparação:

Amassa-se os ocos com a farinha, em seguida junta-se o azeite e a manteiga derretida e amassa-se tudo muito bem.

Põem-se a fintar até ficarem muito fofos, até quatro vezes mais do quando se começou a amassar. Depois de fintar tendem-se e levam-se a cozer ao forno do pão, a temperatura ideal.

 

 

Jogos tradicionais

 

A cabra cega

Nº de jogadores

_ Vários jogadores

Descrição do jogo

Escolhe-se de preferência terreno direito, sem tropeços.

Os jogadores, em nº variável movem-se livremente e só um tem os olhos vendados “ o cabra cega”.

Os jogadores fogem do “cabra cega”, contudo este tem de agarrar pelo menos um jogador, tem que o identificar dizendo o nome, se o disser é substituído.

 

Jogo do cântaro ou panelo

 

Nº de jogadores

_ Vários jogadores e um cântaro

Descrição do jogo:

Num largo ou estrada, rapazes ou raparigas formavam uma roda e atiravam o panelo ou cântaro de um(a) para outro(a) percorrendo a roda.

Quem deixasse cair o panelo e o partisse perdia, isto é, tinha de abandonar o jogo.

Quando o panelo caía ao chão e se partia os jogadores faziam grande algazarra.

 

Jogo da malha

 

Regras:

_ Joga-se a distância oficial de 25 metros;

_ As equipas são sorteadas 15 minutos antes do torneio;

_ Iniciam as partidas, as equipas sorteadas em 1º lugar;

_ As equipas mudam de campo sempre que se inicie uma partida;

_ A 2º e 3º partidas de cada jogo são iniciadas pela equipa que perdeu a anterior;

_ Cada jogo terminara quando estiverem efectuadas 3 partidas;

Contagem de pontos:

_ 6 Pontos, contados imediatamente após cada derrube do pinoco;

_ Após 4 lançamentos, contem-se 3 pontos para a equipa que tiver a malha mais perto do pinoco;

_ Cada partida ganha, dá direito a 3 pontos;

 

 

O Pião

 

Material:

_ 1 Pião por jogador

Nº de jogadores:

_ Vários jogadores

Descrição do jogo:

Os jogadores fazem um círculo no chão e cada um joga o pião dentro dele. Se sai, o jogador continua a jogar, se fica no interior do círculo, só é tirado às “bicadas” que os outros jogadores procuram dar-lhe.

 

 

 

Música

 

 

É nas terras de Pindo que se vão cantando umas lindas músicas. Por aqui se encontram alguns grupos de cantares onde se podem ouvir lindas letras desta nossa terra. Ouve-se ainda a Tuna de São Martinho de Pindo e também o Grupo de Cantares de Pindo, que cantam belas melodias, entre elas se encontra esta bela musica:

 

 

Somos de Pindo

 

 

Refrão

 

Somos de Pindo, freguesia rica

Terra hospitaleira, que nome tão belo                        (bis)

Somos de Pindo, que nome tão lindo

Somos do conselho de Penalva do castelo

 

 

Bonitas terras de Pindo                            Digo-vos com alegria

Isto é que eu vou cantar                                   E com toda a simpatia

Para os vossos corações                                   Somos da terra do bom vinho

Para vos dar a saber                                        Temos cá por padroeiro

Cá na nossa freguesia                                      Um Santo que é milagreiro

Quintas e povoações                                        Que se chama S. Martinho

Refrão

 

 

 

 

Explico-vos agora                                      Pindo de Baixo, Pindo de Cima

Temos Encoberta e Corga                       Passei pela igreja matriz

Temos Quinta do Giestal                        Caldeirão com alegria

E Aldeia de Casal Diz                                Mártir S. Sebastião

Mais um salto de petiz                            Em diante o S João

A Rebôtea e o Casal                                 Ó linda Vila Garcia

Refrão

 

 

 

Santa Eulália és a cimeira                   Costeiras e Quinta Nova

O Telhado e Oliveira                            Mais além esta o Orgal

Logo a Quinta do Adão                         A beijar o rio Dão

Não pode deixar de ser                      E a Senhora da Ribeira

Que o povo de Roriz                            Está na margem direita

É o vosso coração                                Com a Quinta do Jádão

Refrão

 

 

E as quintas e povoações                    Façam favor de desculpar

São raminhos de botões                     Ainda tenho que cantar

Formam um lindo jardim                   Afinal ainda vai hoje

Junto com a Quinta da Silva              Paul ficou esquecido

A seguir Quinta da Vinha                   A Correndinha meu amigo

Com Moinhos de Pepim                    O Picoto e o rio Cojâ

(Refrão)

 

 

Conclusão

 

 

Agora que conhecemos melhor a linda terra de Pindo, facilmente percebemos que a sua história está um pouco esquecida, pois já mais poderia imaginar que Pindo tinha assim tantas tradições.

Com base em alguns documentos, consegui encontrar muita coisa que me recordou o antigamente e o presente de Pindo, apesar de um pouco desactualizado, mas mesmo assim muito útil para esta historia.

Adorei fazer esta pesquiza, pois visitei vários sítios, que até então não me diziam nada, no entanto, agora que sei o que se ali passou em tempos, fez-me ver com calma e apreciar as coisas belas que por aqui se encontram e para alguns não têm qualquer valor.

Com isto pude ver que a freguesia tem muito “para nos dizer”, desde património histórico, até gastronomia, património cultural, entre tantas outras coisas.

Venham visitar toda a freguesia de Pindo, vão ver que não se arrependem, pois quem aqui vem fica logo a querer-lhe bem.

 

Bibliografia

 

Para fazer este trabalho contei com o apoio da Junta de Freguesia de Pindo, com alguns contos fornecidos (anónimo).

Dicionário Enciclopédico, Rota da Senhora da Ribeira.

_ www.arqueohoje.com

_ arqueohoje@mail.telepac.pt

publicado por freguesiadepindo às 14:22
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.posts recentes

. freguesia de Pindo

.arquivos

. Janeiro 2011

.favorito

. freguesia de Pindo

blogs SAPO

.subscrever feeds